Ajudar depender de apenas de Querer!E facil perceber isso quando pensamos em Haiti antes do Terremoto que o atingiu no dia 12 de janeiro de 2010 O que sabiamos acerca daquele país? Temos uma lembranca vaga de conflitos acontecidos no território haitiano a alguns anos. Podemos saber que, como língua oficial têm o francês e o crioulo, mesmo que não saibamos que língua seja crioulo. Podemos saber ainda que esse país faz fronteira com a República Dominicana e que fica no Caribe. Talvez, por ser brasileiro poda ser que saibamos que o Brasil tem certa relacão com o Haití há 5 anos por ter enviado integrantes do exército para uma missão de paz nas terras haitianas.
Porém, o que mais sabiamos? Creio que não muita coisa a acrescentar à lista sugerida acima. Infelizmente.
Essa falta de informacõs sobre o que era o Haití antes de 12 de janeiro de 2009 para muitos é justificável, afinal, a mais no mundo para se tomar conhecimento do que fatos e situacões de um país que tem a sua área total 10 vezes menor que a cidade de Goiânia. Como pensam muitos, existem coisas mais importantes, como por exemplo que Obama pensa e faz quanto a “isto ou aquilo”, as fotos da Madona sem o recurso do Photoshop (sim! As fotos da Madona sem photoshop foram capa de um dos maiores veículos de informacão brasileiro na mesma época do terremoto no Haití), tem o São Paulo Fashion Week, tem as fofocas da novela das oito, e não podemos nos esquecer das intrigas do Big Brother Brasil.
O que acontece é que desde a fatídica data no Haití, informacões e notas sobre aquele país nos chegam por todos os cantos. Sabemos agora o é Porto Príncipe, o que é Caribe, e uma série de outras coisas que antes não tinhamos conhecimento. Vejo acontecer o mesmo que aconteceu quando o Tsunami atingiu a Ásia. Você se lembra? Foram milhares de mortos, muitas familias dizimadas, incontáveis desabrigados, muitos paises atingidos. Mas quais paises exatamente foram atingidos? Difícil de lembrar né?! E não pense que é Samôa, pois o Tsunami na Ilha de Samôa aconteceu no continente australiano, ou como costumam chamar os brasileiros, continente Oceânico. E lembra-se do Furacão Katrina? Isso, aconteceu em Nova Orleans, nos Estados Unidos. O que mais você se lembra acerca desse episódio?
Sei que, infelizmente, daqui a 3 ou 4 anos, muitos não se lembrarão do Haití, a menos que Hollywood nos venda a história, pois, aquela industria sabe como gravar em nossas mentas historias de nosso passado. Quem nao se lembra do Navio que nem Deus poderia afetar, mas que afundou em sua viagem inaugural? Ou do ataque a base naval de Pearl Harbor? Prédios iguais desabando no centro da cidade de Nova York? Talvez se lembre de quem foi Oskar Schindler? Lembra-se do rapaz que consguia subir pelas paredes e soltar teias por seus pulsos? Sim, o que vai para Hollywood é que nos serve de estimulante para a memória, mesmo que não consideremos a verdade por trás da película.
Diferente de um atentado terrorista ou de uma Guerra, nao há como buscar culpados diretos ou indiretos. Há quem até tente justificar a catástrofe por atos humanos, e são levados por acões preconceituosas a criar conceitos discriminatórios e dicotomizados do que nos faz seres humanos. Em palavras que me levaram a revolta e desgosto, o consul do Haití no Brasil, Gerge Samuel Antoine, justifica a “desgraca de lá” como resultado de uma “maldicão” consequente a práticas religiosas de matriz Africana. Cita ainda que a tragédia foi boa pois fez conhecido o consulado do Haití no Brasil. O video pode ser facilmente encontrado no Youtube. Fico indignado de saber que um homem de alto cargo crie conexão entre o fato de ser afro-descendente a uma coisa má, o ato de praticar uma religião diferente da sua a uma coisa ruim, e atribuir o terremoto aos resultados da prática da “macumba” levado por pseudo-conceitos provindos do senso comum. Eu, sendo cristão evangélico, aprendi que ao invés de rejeitar uma pessoa que pratica uma religião diferente da minha, devo sim amá-la e respeitá-la como se for a a mim mesmo.
Um evento como o occorido no Haití tem que nos levar a uma reflexão crítica acerca do mundo. Os olhos do mundo se voltaram para um país de treceiro mundo, então que se analise toda a estrutura desse mundo, pois muito ha a se saber sobre um país que existia antes de uma tragédia dessas. Daqui a alguns anos o país voltará a ser bem parecido ao que era antes, depois de, apesar das cicatrizes, se superar os efeitos do terremoto.
Tragédias como essa nos leva a pensar sobre o que acontece em paises pobres e nas relacões desses paises com os paises ricos. Por exemplo, voce sabia que muitos suecos morreram na tragédia do Tsunami que atingiu a Ásia? Sabe porque? Faca uma pesquisa superficial no Google sobre as razões de muitas pessoas da Suécia terem morrido no evento das ondas gigantes de 2004 e você ficará extremamente surpeso!
Ví nos noticiários que muitos artistas estão se propondo a realizar festas, eventos e shows para angariacão de fundos e donativos para ajudar as vítimas do Terremoto no Haití. E ví que muitos condenam a acão por citarem que o que estes artistas buscam na verdade é promover a si mesmos. Eu nao concordo de forma alguma que a ajuda realizada pelos artistas seja egoista. Louvável seria o professor que, tentando ser reconhecido como o melhor, realmente fizesse atos que justificassem esse merecimento. Louvável seria o cozinheiro, que querendo ser reconhecido como melhor chef, fizesse isso cozinhando. O que esses inúmeros artistas estão fazendo agora é usando seus ramos de atividade para contribuir.
Perceber que o terceiro mundo existe é um importante passo para que se comece a pensar com criticidade acerca dele. Perceber que em nossa cidade existem pessoas que sobrevivem sem o mínimo de qualidade possível para uma vida saudável é um grande passo para que comecemos a pensar com criticidade acerca delas. E partir para a acão de ajuda depende muito de propor-se a mudar. A ajuda não depende de dinheiro, mas de vontade. Você não precisa de dinheiro para discutir com seus amigos de forma crítica a política que resulta na pobreza, voce pode, junto com sua família arrumar um cofrinho daqueles que se parecem com um “porquinho” mesmo e incentivar que sempre que, aqueles que puderem, depositem algo lá, com a finalidade de, em certo tempo, usar aquelas moedas para se ajudar alguém.
Você pode se reunir com amigos e fazerem o que nós brasileiros chamamos de “vaquinha” e arrecadar alguns donativos para que se comprem alimentos e ajude alguém. Você pode propôr em sua rua que se realize um evento onde todos contribuam e facam uma festa para criancas das redondezas para que tenham diversão sadia juntas com as suas criancas. Você pode ir a seu líder de bairro e propor uma campanha de arrecadacão de roupas e cobertores. Seu representante na câmara pode, incentivado por você, promover uma campanha na cidade para preservacão do meio ambiente.
Esse representante pode também, influenciado por sua vizinhanca a convencer o prefeito a ir ao governador propor uma campanha maior para um efetivo trânsito seguro, ou para uma ajuda de apoio a educacão a um estado vizinho. Seu governador pode ir ao presidente e propor a criacão de um grupo de apoio a paises mais pobres que o nosso.
Em nossa escola decidimos que seria mais importante abdicarmos de certas regalias que temos e converter o dinheiro a ítens para serem enviados ao Haití. Compramos água, suplementos alimentícios para bebês e alimentos enlatados de facíl preparo. Fiquei alegremente surpreso com a grande quantidade que conseguimos arrecadar. Não possuimos um barco que pudesse levar os alimentos, mas uma instituicão maior que a nossa possui, então, junto com os donativos doados por outros grupos de amigos e por outras familias foram levados para esse barco prontamente oferecido pela instituicão a leva-los ao Haití. Supermercados da região ofereceram seus carros de entrega de mercadoria para realizar o transporte das doacões ao porto.
O que me deixa maravilhado é essa mobilizacão acontecer no país em que moro, chamado Saint Vincent & Grenadines, no Caribe, e que tem a área 100 vezes menos que o Haití. Vi esse país mobilizado por seu vizinho. Ao digitar esse texto agora fico novamente arrepiado de emocão ao me recordar de caminhar pelas ruas de Kingstown, nossa capital e ver todos empenhados em ajudar, com donativos, oraces, oferecendo seus bracos para carregar doacões. Foi realmente algo muito tocante para mim.
Peco-te que ajude, nem que seja conversando com seus amigos sobre a pobreza, sobre como tem no voto uma chance de fazer a diferenca, como tem no grupo a chance de com o pouco doado por qualquer um poder se tornar muito. Doe um pouco de si, não necessariamente com dinheiro, mas pode ser um pouco do seu tempo, da sua comida, do seu sorriso.
Eu decidi a alguns meses que doaria meu tempo, dinheiro e alguns anos da minha vida a ajudar. Me tornei voluntário, moro atualmente no Caribe onde participo de um projeto de ajuda humanitaria. Em fevereiro de 2010 estou indo para Mocambique, na Africa para integrar outro projeto de trabalho voluntário ajudando na formacão de professores.
Olhe a seu redor que voce achará com facilidade algo em que pode contribuir, e sua pequena ajuda fará uma grande diferenca!!!
Lucas Rodrigues de Morais
Development Instructor
Volunteer
www.richmondvale.org
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